Vilhena: “Na crise, há maior abertura para o novo”

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foto vilhena

Roberto Vilhena, vice-presidente de criação da Artplan, viveu dias únicos no Cannes Lions 2016, quando seu case “Emoti Sounds”, para Tim Live, foi o único finalista brasileiro na desafiadora categoria Innovation Lions. Nesse papo ele fala do festival, de criação, de inovação, futuro e presente.

Inovação: afinal, como inserir esse “bicho” no dia a dia de uma agência de publicidade?
RV
– É uma questão de mudança de cultura. Dá pra matar 50 jobs por dia mas não dá pra inovar na mesma velocidade.
David Droga tem uma definição bem bacana de inovação: é quando você tem uma clara visão do “antes” e do “depois” da ideia.
A gente tem que se acostumar a querer ter, no máximo, uma ideia desse patamar por ano. Porque necessariamente tem que ser trans forma dor. Esse é o desafio.

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Como pensar em projetos inovadores se, dizem, clientes dificilmente estão abertos a arriscar e aprovar algo fora da curva?
RV
– Crise é uma excelente oportunidade pra isso. Porque, como a curva está pra baixo, há, a meu ver, maior abertura para o novo.

Como defender uma ideia que não leva, necessariamente, um cliente a “ganhar dinheiro” ou enxergar retorno em vendas?
RV
– Em tempos de crise, por outro lado, a necessidade de fechar a conta no fina do mês, tem razão, é iminente, sempre. Não tem jeito.
Mas há cada vez mais a percepção, por parte dos clientes, de que nos relacionamentos com marcas, não com produtos.
Sendo assim, não tem jeito. Tem que vender, mas tem que trabalhar marca também, porque senão, mais cedo ou mais tarde, vais vender menos.

Voltar de Cannes é um choque de realidade, ou você tem a sensação de que algumas das transformações que vemos na indústria já estão “entre nós”?
RV
– Dá, sim, pra perceber movimentos bacanas que estão cada vez mais dentro nosso negócio.
Na Artplan a gente já tem buscado rodar nessa frequência de ideias com potencial pra transformar, como Emoti Sounds (?v=-6yuO57UQ-M).
Como falei antes, é um processo mais lento, mais profundo, porque não dá pra ser inovador todo dia. E, em meio a um monte de jobs. Mas criando processo pra isso a gente vai devagarinho chegando lá.

Como você enxerga o papel das agências junto aos clientes hoje e no futuro?
RV
– Vejo com enorme otimismo, a contrário de muita gente.
A proliferação de meios, os avanços na tecnologia, as mais incríveis inovações, tudo isso afirma ainda mais nossa relevância.
Porque, no final do dia, trata-se da mesmíssima coisa: marcas tentando se relacionar com pessoas e tentando se inserir no mundo também de forma relevante e transformadora.
E as ferramentas últimas de que dispomos são as mesmíssimas, desde que surgimos como profissão: ter a capacidade de contar histórias que envolvam e sensibilizem pessoas (storytelling). E nossa capacidade de realmente fazer algo transformador por essas pessoas (storydoing). Portanto, acho que hoje, á mais divertido.

Como você vem modificando o seu modus operandi na criação para adaptar-se a novas necessidades de clientes e das pessoas em geral?
RV
– Hoje a gente é realmente integrado. Por mais desgastada que essa palavra esteja. Principalmente com a galera de Conteúdo e Engajamento. Ouvimos muito o consumidor. Monitoramos o tempo inteiro o que acontece nas redes sociais. E na hora de pensar numa solução criativa, pensamos ao mesmo tempo na ideia e na aplicabilidade. A parceria com Luiz Telles (Dir Nacional de Cont e Engajamento) e sua equipe e também com outras lideranças tem sido essencial pra gente entregar um produto final criativo, realmente completo. E que funcione.

O que de mais interessante vc viu em Cannes, esse ano?
RV
– O Grand Prix de Titanium. Votei nele pra ouro no D

Author: Claudia Penteado