No Philipp Plein Pas Cher um persdamlongbear.com/”>Parajumpers Jacka Kodiak dia internacional da mulher uma ação surpreendente da WMcCann para a L’Oréal apresentou para o mundo a transgênera Valentina Sampaio. Nessa entrevista – que aparece na íntegra pois na coluna onde foi originalmente publicada, Negócios & Propaganda, teve de ser enxugada – Viviane Pepe, diretora de criação da WMcCann, conta a história desse projeto surpreendente.

1. É preciso ser mulher para criar uma campanha como essa?

Vivi – Preciso, não é. Mas ajudou muito, no sentido de que a gente sabia exatamente o que fazer, como dizer, que tom usar. Fomos cúmplices. Somos quatro mulheres diretamente envolvidas no processo, nos emocionando com cada palavra da criação do texto, com cada take, junto com um homem de muita sensibilidade, com muita empatia. Fez diferença esse olhar atento feminino, mas é claro que o Burberry Uk Outlet filme do Dia da Mulher L’Oréal não deveria ser fruto de quem cria melhor, porque o que importa é que a campanha nasceu de um olhar cuidadoso e generoso com uma história humana, que é a história simbolizada pela Valentina. Essa é a história que as mulheres reconhecem imediatamente, da força pessoal, da causa invisível, da beleza de se aceitar e se valorizar, de se respeitar, ter dignidade, coragem. A adesão total do cliente, confiando do outro lado, com um time de muitas mulheres e homens de sensibilidade envolvidos, também está presente na campanha. A produção e a realização também foram de maioria absoluta de mulheres, mas liderada por um diretor de filme, um diretor de fotografia, um fotógrafo e um compositor. Ou seja: não importa o gênero, o que é preciso é saber olhar com atenção e sensibilidade, se conectar com o outro, rever a própria forma de fazer, de pensar. E o que a gente acredita é que esse tipo de visão seja cada vez mais uma questão de todos nós, humanos, trabalhando pela diversidade e pela riqueza de conteúdos na nossa indústria, independentemente do gênero. A Valentina nos deixa também esse aprendizado.

2. Como nasceu a ideia e como foi o processo de aprovação?

Vivi – Foi tudo muito rápido, intenso e totalmente colaborativo. A criação inteira tinha esse briefing e, mesmo com outras ideias bacanas saindo, essa era a aposta de todos. Da apresentação da ideia ao cliente, passando pela expectativa de alguns dias pela aprovação geral, depois a leitura do roteiro para a Valentina, que não sabia ainda de nada, terminou com nós duas emocionadas – até o dia de sua realização, tudo levou uma semana apenas. A aprovação foi um marco porque os dois lados, cliente e agência, sabiam do valor contido nesse filme, na força de uma marca como L’Oréal assumir essa questão tão humana sobre a beleza feminina, o que nos encheu de coragem para conseguir colocar tudo de pé em pouquíssimo tempo, inspirar as pessoas, receber manifestações de apoio e adesões de parceiros que quiseram muito que o Dia da Mulher da L’Oréal ganhasse vida. Fora a motivação interna na agência, fazendo de cada um de nós produtores, revisores, consultores, influenciadores. Todos os departamentos vieram unidos em torno desse projeto. Está sendo muito especial para todos nós.

3. O briefing já veio com o desafio ou vocês sugeriram para a agência essa pegada?

Vivi – A necessidade de trazermos os movimentos contemporâneos já era presente em nossas conversas com o cliente. Temos muito orgulho do slogan da marca, “Porque você vale muito”, criado nos anos 70 por uma redatora aqui da agência no auge dos movimentos feministas, para estimular as mulheres a se amarem acima de tudo, a se valorizarem. Mas a ideia de o Dia da Mulher sair assim de forma tão corajosa foi uma provocação nossa, recebida com muita ousadia, muita sensibilidade da parte deles.

4. Mundialmente a L’Oréal já fez algo parecido?

Vivi – A L’Oréal tem na sua história muitas representações do empoderamento feminino. Foi a marca que criou a coloração e assim mostrou às mulheres o direito de ela ser realmente quem ela queria ser, independentemente de como tenha nascido. Mas em comunicação, o Brasil está criando um marco com essa campanha.

5. Esse filme pode rodar o mundo ou foi/vai ser visto apenas no Brasil?

Vivi – Esse filme nasceu no Brasil, país de mulheres apaixonadas pela beleza, para ser veiculado aqui no dia 8 de março. A princípio, não há previsão de exportação, até porque o impacto no dia que entrou no ar foi tão grande que repercutiu para a empresa em outros países. É um filme universal, que reflete as questões visíveis e invisíveis de todas as mulheres, de todos os seres humanos que querem viver com verdade. O filme viralizou em poucas horas e já no 1º dia foi visto na Argentina, Chile, Peru, Uruguai, México, Estados Unidos, Canadá, Austrália, França, Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, Irlanda, Polônia, Eslováquia, Turquia, Índia e China. E continua rodando e ganhando mais visualizações.

6. Qual o potencial de desdobramentos de um filme como esse?

ViviCheap Adidas Shoes Muitos. Desde dar ainda mais força a mais iniciativas que tenham honestidade que buscamos trazer na campanha, como dar coragem a outras marcas de outras categorias para que revisem o discurso, a linguagem e suas estratégias, refletindo com mais verdade os temas realmente relevantes para toda a sociedade.

7. Como abraçar tensões sociais dessa natureza sem parecer forçado ou piegas?

Vivi – Nossa principal preocupação era não soar falso, oportunista, caricato e, obviamente, não expor a Valentina. E esse respeito está presente no filme, refletindo o cuidado que todos nós tivemos com a escolha das palavras, com a verdade dos sentimentos na locução dela, com cada imagem. Um exemplo que mostra o quanto mantivemos a honestidade em tudo: a palavra “transgênera” é usada no feminino pela própria Valentina e, como ainda não Calvin Klein Espa?a existe um uso oficial na língua portuguesa, fizemos questão manter no filme a maneira como ela fala. E isso não foi apenas um cuidado nosso como um pedido do cliente.

8. Como essa campanha foi recebida pelas pessoas? Que tipo de retorno houve? Só aplausos ou alguma crítica?

Vivi – Os aplausos foram muito maiores do que as críticas, que obviamente aconteceram. Algumas pessoas disseram que tiveram de rever o filme para entender essa nova conversa que estávamos trazendo, e depois retornaram, agradecendo por isso. O engajamento positivo foi muito grande, com manifestações de agradecimento pela iniciativa em âmbito público por parte de muita gente no Brasil e no mundo. Ontem, quando medimos as primeiras 24 horas no ar, seu alcance era de 15.157.393 impactos (30% owned do Facebook), 3.858.865 views, 30.534 compartilhamentos e uma taxa de engajamento de 4.216.820 recorde. O movimento se replicou no Instagram, mas ainda não mensuramos todas as tags e as notícias. O melhor de tudo é que as pessoas estão conversando e respondendo umas às outras nas redes sociais, o que só nos deu a certeza da importância de um trabalho como esse envolver a sociedade, sensibilizar, questionar a mentalidade vigente e virar cultura popular. Como comunicadores, estamos gratos pela oportunidade de usar nossas ferramentas a serviço de novos valores. Estamos realmente emocionados por fazer parte desse movimento. Com a correria 24 horas em que estamos desde que tudo começou, falei uma frase sem querer aqui na agência outro dia: “tem uma semana que a gente sonha, e não dorme”. É a mais pura verdade.

Author: Claudia Penteado