Eles formam uma dupla e tanto. Gustavo Bastos e José Guilherme Vereza se conheceram a perder de vista, mas trabalharam juntos pela primeira vez em 1991, num grupo formado pelo Carlos Manga para criar novos programas de TV, dentre eles o famoso Você Decide. Vinte anos depois, começaram a trabalhar juntos na Simplicidade Criativa, a agência criada por Bastos em 2005. Esse papo a dois mostra um pouco da sinergia entre dois talentosos profissionais de criação que defendem, com unhas e dentes, muito mais do que a ideia de fazer mais com menos, e sim o profundo respeito pela verba e pela cultura do cliente.

 

O que é simplicidade criativa?

Gustavo – É fazer mais com menos, é fazer seus clientes parecerem maiores do que são através de campanhas de alta repercussão. Em tempos de grande diversidade de mídias, repercussão é tudo, e simplicidade e ousadia são fundamentais.

José Guilherme – Não é um quê. É um como. É um jeito de encontrar soluções criativas e impactantes, baseada no profundo respeito pela verba e pela cultura do cliente. A simplicidade criativa se tornou um sobrenome da 11:21 porque descobrimos que praticamos inconscientemente esse método durante vida inteira antes de sermos sócios. Por que não aplicar na nossa própria agência?  E assim lá se vão 11 anos, rumo aos 21.

 

O que você mais admira no seu sócio?

Gustavo – O Zé é um cara admirável por vários aspectos. É amigo dos amigos. É  otimista, mas pé no chão, é criativo, tem uma história incrível na  propaganda, mas é um cara humilde. E tem mais uma: todo mundo gosta do Zé. Eu e o Zé navegamos juntos, remando para o mesmo lado sempre. Não que não haja divergências entre nós, mas nosso entrosamento é total e acho que por mais que seja uma característica de nós dois, é responsabilidade mais dele do que minha.

José Guilherme – É um otimista apaixonado vibrante contagiante carismático organizado comprometido guerreiro surpreendente. Só para citar alguns poucos adjetivos. Nossa química começou na equipe de Criação da Globo, que o Carlos Manga inventou em 1992 para arejar as ideias na emissora. No final, bem, no final, Você Decide.

 

O que mais irrita você nele?

Gustavo – É botafoguense, extremamente e irritantemente botafoguense.

José Guilherme – Ele sempre salta uma estação de metrô antes da minha, o que sempre interrompe uma boa conversa. Mas vale aqui uma reflexão sobre a pergunta: já presenciei pilotos de agência se irritando uns com os outros. Geralmente isso acontece quando o avião está voando com combustível no limite. O final nem sempre é feliz. Mas felizmente não é o nosso caso.

 

Qual é o seu (próprio) maior defeito?

Gustavo – Ih, são tantos… mas acho que o pior é a ansiedade. Fico muito chato quando fico ansioso demais. Faço de tudo pra controlar, mas às vezes é duro.

José Guilherme – Não me deixar levar pelo canto da sereia da propaganda.

 

E a sua (própria) maior qualidade?

Gustavo – Profissionalmente acho que é a resiliência e a paixão pelo que faço.

José Guilherme – Não me deixar levar pelo canto da sereia da propaganda.

 

Qual a campanha que você mais se orgulha em 2016?

Gustavo – 2016 foi generoso em boas campanhas, fizemos um trabalho muito criativo para o Disque Denúncia, a AGO, A Recreio, lançamos o Saúde Já, fizemos uma ótima para Spé, mas acho que a Cerveja Rio Carioca foi a melhor do ano, por sua ousadia, rapidez e pela quantidade de peças criativas que fizemos para várias mídias. Teve digital, mídia exterior no Santos Dumont, TV. A Rio Carioca foi a primeira artesanal do país na TV aberta em 2016.

José Guilherme – Não vi a resposta do Gustavo, mas se não for Disque Denuncia, Saúde Já e Rio Carioca, acho que pela primeira vez vou ficar irritado como ele.

 

Que campanha que você gostaria de ter criado esse ano, de alguma outra agência?

Gustavo – As campanhas da Casa & Video com o Mr. Catra, essa da Coca-Cola Brasil e a campanha da Geico “It’s Who you are”, da The Martin Agency, a despedida do Michael Phelps, da Droga 5 para Under Armour. Como você pode ver, são muitas e tenho kenzo pas cher inveja de cada uma delas.

José Guilherme – Os Boticários, Suzana Vieira Havaianas, esse filme novo da Coca-Cola. Não que gostaria de ter criado, mas fico contente em ser um feliz apreciador e admirador à distância dessas ideias.

 

Qual o melhor e o pior de 2016?

Gustavo – O pior é a crise que insiste em ficar, não vai embora, o melhor geral foram as olimpíadas e para nós foi ver que deu certo a ousadia da 11:21 de colocar três páginas no jornal O Globo mostrando nosso trabalho e a opinião dos clientes a respeito da gente.

José Guilherme – O melhor foi a surpresa de ter dado tudo certo e encantador nos Jogos Olímpicos do Rio. O pior foi a enxurrada de desastres reais, éticos e morais que nos deixaram devastados e envergonhados no Brasil. Ainda estou procurando nos destroços algo que me dê esperança de que podemos sair fortalecidos.

 

Qual a maior conquista da agência?

Gustavo – Acho que foi a entrada dos novos sócios, a Janice Pereira e o Diego Crisostomo, funcionários comprometidos e talentos acima da média que se tornaram donos junto com a gente. Destaco ainda o trabalho criativo de qualidade o ano todo e um certo upgrade na marca da 11:21 depois das três páginas no O Globo. Ainda vamos fechar alguns clientes importantes em dezembro para abrir 2017 mais fortes.

José Guilherme – Vivemos remando contra a maré. Cada remada é uma conquista.

 

O que esperar de 2017?

Gustavo – Que a crise comece a ir embora, que a gente consiga manter o padrão criativo e ampliar as conquistas.

José Guilherme – Força para não parar de remar. Que 2017  nos inspire para enfrentar tsunamis que certamente virão e transformar as tempestades em borbulhas num copo d’água.

 

Como as agências de propaganda podem manter e fortalecer sua relevância junto aos anunciantes?

Gustavo – Fazendo um trabalho relevante, sendo um parceiro estratégico e fazendo a diferença. Acredito que o case da Cerveja Rio Carioca e o nosso anúncio no O Globo tem chamado a atenção de alguns novos clientes porque mostram o quanto somos uma agência que traz novidades para os nossos clientes, que é parceira, proativa.

José Guilherme – Confiando na seriedade e na honestidade de propósitos dos profissionais. Provando por A mais B,  no dia a dia dos jobs, nos pensamentos estratégicos que propaganda é investimento, e que nenhuma marca sobrevive sem encantar as pessoas. Esse encantamento tem nome: agência de propaganda comprometida com o negócio do anunciante. Tá bom, tá bom, que tenha também um sobrenome: simplicidade criativa.

(Entrevista feita pela jornalista Claudia Penteado)

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Author: Claudia Penteado